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O que o novo Star Wars tem a ver com as expectativas de ser feliz em 2020

Lúcia Helena

02/01/2020 04h00

Crédito: Divulgação

Expectativas não crie, diria Mestre Yoda, há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Mas antes de seguir, um aviso: eu me sinto mais insegura do que o medroso androide C-3PO nos nove filmes de Star Wars, porque não sou assim uma grande entendedora de jedis e sabres de luz, sabe como é… Vou me arriscar a cometer gafes como chamar Han Solo de Chewbacca — may the Force be with me!  — porque o estudo é fresquinho, publicado há menos de uma semana, e vem com a chancela da Ohio State University, nos Estados Unidos. 

Se bem que eu também não entendo algumas pesquisas —  que, no mínimo, consomem uns bons maços de dólares —  com tantos outros problemas para a ciência resolver neste velho planeta, girando atordoado nesta nossa galáxia, neste tempo de agora, agora mesmo.

Mas o estudo, admito, chega em boa hora. Não só porque as pessoas estão correndo para ver ou até rever A Ascensão de Skywalker, a última fita da saga que estreou nas telonas em dezembro, mas porque temos um ano novíssimo pela frente. Aliás, uma década recém-inaugurada.  E criamos mais expectativas do que o número estrelas do céu. Pois bem…

Os psicólogos da universidade americana fizeram uma curiosa experiência com 441 fãs de carteirinha da história criada por George Lucas. Eles foram entrevistados duas vezes. A primeira delas, três semanas antes de Star Wars VIII – Os Últimos Jedi estrear no cinema, em 2017. Após assistirem ao trailer, as pessoas tinham de responder perguntas que ajudaram os pesquisadores a avaliar o seu grau de expectativa em relação ao filme.

A segunda entrevista foi realizada quando elas estavam saindo da sala de exibição, ainda com gostinho de pipoca na boca. Então, o que se buscou saber foi o quanto aquilo que cada uma esperava da história teria afetado a impressão com a qual ficaram dela, além de os sentimentos associados ao programa, em si, de ir ao cinema naquele dia.

Vou dar spoiler do resultado: achou que adorar iria, do cinema frustrado saiu. "Quem criou uma expectativa lá nas alturas graças ao trailer quase que invariavelmente relatou desapontamento ao ver o filme", disse Alex Bonus, líder do trabalho. "Posso imaginar que, da mesma forma, quem há dois anos já ficou com uma tremenda expectativa em relação ao final da saga, A Ascensão de Skywalker, vá se decepcionar ligeiramente agora."

Até aí, qual a surpresa? Todo mundo é capaz de intuir que quanto mais esperamos de alguém ou de algo, maior o risco de a realidade ficar aquém do que imaginamos. Só que essa não foi a parte mais curiosa do estudo de Alex Bonus e seus colegas. O interessante foi observar as reações de quem, no extremo oposto, assistiu ao trailer e achou que o filme seria ruim de lascar, já reclamando de antemão do rumo da história. "Essas pessoas saíram do cinema tão insatisfeitas quanto aquelas que achavam que seria o máximo, que esperavam muito mais", relata Bonus.

Talvez você cogite: vai ver que o oitavo Star Wars era fraco e ponto, sem agradar tanto a ninguém. Deixemos essa parte para os críticos de plantão e sejamos justos ou, no mínimo, apegados ao estudo: não foi o caso. A turma do "já sei que não vou gostar" falou sobre o enredo e as personagens  mostrando que tudo tinha sido melhor do que ela esperava e até citando cenas que consideraram muito legais. No entanto, na parte da entrevista que investigava qual a emoção predominante após a ida ao cinema, essa gente mudou, como um Anakin sucumbindo ao Lado Sombrio. Uns bufaram de tédio, outros se mostraram bastante infelizes, sem contar os que fizeram comentários destrutivos feito um Darth Vader.

Onde termina a saga da pesquisa? Uma das conclusões foi de que uma agradável dose de nostalgia faz diferença. Comparando pessoas com o mesmo grau de expectativa, alta ou baixa, aquelas que ligavam Luke Skywalker, Princesa Leia e até os terríveis Lordes Sith a momentos agradáveis do passado avaliaram melhor o filme. Afinal, façamos contas: a maravilhosa trilha sonora de John Williams acelera os corações da plateia há 42 anos e, portanto, muitos senhores grisalhos que hoje levam filhos e netos para ver a atual heroína Rey contra-atacar o Império já foram crianças felizes empunhando sabres de brinquedo. Fato.

"Acho que o ponto mais relevante, porém, é mostrar que expectativas negativas nos puxam para baixo e, mesmo quando gostamos do que estamos vendo, no final das contas não notamos isso ou não levamos em conta", diz Alex Bonus ao blog. Vale para Star Wars e, pare pra pensar, vale para a vida.

Assim,  desejo que a gente tenha saúde emocional para evitar qualquer implicância com 2020, só pelo trailer de 2019. Mas sem esperar demais dele tampouco. Para que o ano possa ser curtido de verdade.  Difícil, mas…  "Luminosos seres somos nós. Não esta matéria bruta", disse Yoda em um dos filmes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Lúcia Helena de Oliveira é uma jornalista apaixonada por saúde, assunto sobre o qual escreve há mais de três décadas, com cursos de especialização no Brasil e no exterior. Dirigiu por 17 anos a revista SAÚDE, na Editora Abril, editou 38 livros de autores médicos para o público leigo e, recentemente, criou a Vitamina, uma agência para produzir conteúdo e outras iniciativas nas áreas de medicina, alimentação e atividade física.

Sobre o blog

Se há uma coisa que a Lúcia Helena adora fazer é traduzir os mais complicados conceitos da ciência da saúde, de um jeito muito leve sem deixar de ser profundo, às vezes divertido, para qualquer um entender e se situar. E é o que faz aqui, duas vezes por semana, sempre de olho no assunto que está todo mundo comentando, nos novos achados dos pesquisadores, nas inevitáveis polêmicas e, claro, nas tendências do movimentadíssimo universo saudável.

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